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“O RH não se torna estratégico quando muda de cargo. Torna-se estratégico quando muda a forma de pensar.” (Mentalidade estratégica no RH)

Mentalidade estratégica no RH

VOZES DA ÓRBITA | EDIÇÃO #01

O Orion Volo acredita que uma comunidade empresarial se fortalece quando seus próprios membros têm espaço para compartilhar conhecimento, experiências e perspectivas que podem transformar a forma como outros empreendedores enxergam seus negócios.


Por isso, nasce o Vozes da Órbita: um espaço mensal dedicado a dar voz aos talentos, experiências e conhecimentos que existem dentro da nossa própria comunidade.


E, para inaugurar essa jornada, temos a honra de apresentar Mirella Mentora, profissional dedicada ao desenvolvimento de pessoas, liderança e Recursos Humanos Estratégico.


Nesta primeira edição, Mirella nos convida a repensar uma questão importante: o que realmente significa ser estratégico dentro de uma organização?


Mais do que falar sobre cargos, ferramentas ou posições hierárquicas, ela provoca uma reflexão sobre maturidade, iniciativa, pensamento crítico e capacidade de transformar informações em decisões que geram valor.


Um conteúdo especialmente relevante para líderes, gestores e profissionais que desejam deixar de apenas executar e começar a contribuir de maneira mais estratégica para o negócio.


Com vocês, a primeira Voz da Órbita.

Mirella Mentora

Mentora de RH | Desenvolvimento de Pessoas | RH Estratégico | Liderança.


Durante muito tempo, criou-se a ideia de que ser estratégico em Recursos Humanos significava ocupar uma posição de liderança, tornar-se Business Partner ou finalmente conquistar um lugar à mesa das decisões.


Eu penso diferente.


Ser estratégico não começa no cargo. Começa na forma como o profissional enxerga o próprio trabalho.


Um profissional pode estar no Departamento Pessoal e desenvolver uma atuação estratégica. Assim como alguém pode ocupar uma posição de gestão e continuar profundamente operacional.


A diferença está nas perguntas que cada um faz.

O profissional operacional recebe uma demanda e pergunta:

- “Como faço?”

O profissional que começa a desenvolver visão estratégica também pergunta:

- “Por que estamos fazendo? Qual problema queremos resolver? Qual impacto isso gera para as pessoas e para o negócio?”


Essa mudança parece simples, mas exige desenvolvimento.

Antes da estratégia, vem a maturidade


Falamos muito sobre People Analytics, Inteligência Artificial, indicadores, cultura e novas tecnologias. Tudo isso é importante.


Mas nenhuma ferramenta transforma automaticamente alguém em um profissional estratégico.


Antes, precisamos desenvolver competências que nem sempre aparecem nos treinamentos técnicos.

- Autoavaliação é uma delas.


Profissionais maduros conseguem reconhecer seus pontos fortes e também aquilo que ainda precisam desenvolver. Não enxergam feedback como ataque, mas como informação para evolução.


- Iniciativa é outra.

Existe uma diferença enorme entre esperar alguém dizer o que precisa ser feito e observar uma situação, analisar possibilidades e chegar à liderança dizendo:

“Identifiquei este problema, analisei estes dados e gostaria de propor este caminho.”

- Isso é protagonismo.

- O estratégico também nasce no operacional.

- Gosto muito de usar o Departamento Pessoal como exemplo.

- Imagine um profissional analisando horas extras.

- Ele pode conferir os valores, garantir que estejam corretos e concluir sua tarefa.

- Esse trabalho é necessário.

- Mas pode ir além.

- Por que determinado setor apresenta tantas horas extras?

- Existe falta de pessoas?

- Problema de escala?

- Absenteísmo elevado?

- Falha de produtividade?

- Má distribuição das atividades?


Uma informação que inicialmente pertencia à folha de pagamento pode se transformar em uma discussão sobre produtividade, dimensionamento de equipe, liderança e custos.


O mesmo acontece com afastamentos, turnover, absenteísmo, férias e inúmeras outras informações que passam diariamente pelo DP.


O dado pode ser operacional. A pergunta feita sobre ele pode ser estratégica.


Precisamos desenvolver pessoas para pensar

Esse talvez seja um dos maiores desafios das empresas.


Durante anos, muitas organizações desenvolveram profissionais excelentes em cumprir procedimentos.


Agora esperam que essas mesmas pessoas tenham autonomia, iniciativa, pensamento

crítico e visão de negócio.

Essa transformação não acontece por decreto.


Precisamos criar ambientes onde as pessoas possam analisar, questionar, propor, decidir e também aprender com os próprios erros.


E as lideranças têm enorme responsabilidade nesse processo.


Quando um colaborador apresenta um problema, em vez de entregar imediatamente a resposta, experimente perguntar:

- “O que você analisou?”

- “Quais alternativas enxerga?”

- “Qual seria sua recomendação?”


Estamos deixando de formar apenas executores e começando a desenvolver profissionais capazes de pensar.


A pergunta que pode mudar uma carreira

Existe uma mudança de postura que considero poderosa.

Trocar:

- “O que querem que eu faça?”

por:

- “Que problema posso ajudar a resolver?”


É nesse momento que começamos a enxergar além da tarefa.

E isso vale para qualquer área e qualquer nível hierárquico.


O futuro do trabalho exigirá cada vez menos profissionais reconhecidos apenas pela capacidade de executar atividades e cada vez mais pessoas capazes de interpretar contextos, conectar informações, tomar iniciativa e transformar conhecimento em decisões melhores.

- Tecnologia pode automatizar tarefas.

- IA pode acelerar análises.

- Processos podem ser digitalizados.


Mas ainda precisaremos de pessoas capazes de olhar para tudo isso e perguntar:

“O que fazemos com essa informação?”


Por isso, quando alguém me pergunta como se tornar mais estratégico, minha resposta não começa com uma ferramenta.

- Começa com desenvolvimento.

- Desenvolva autoconhecimento.

- Desenvolva maturidade.

- Desenvolva iniciativa.

- Desenvolva pensamento crítico.

- Desenvolva visão de negócio.


E, principalmente, desenvolva coragem para deixar de ser apenas alguém que executa aquilo que recebe e tornar-se alguém que observa, compreende, questiona e propõe.


Porque ser estratégico não depende de ter “estratégico” escrito no seu cargo.

Depende da capacidade de transformar aquilo que você vê todos os dias em decisões que geram valor.

Mentalidade estratégica no RH

VOZES DA ÓRBITA

No Orion Volo, acreditamos que conhecimento ganha ainda mais valor quando é compartilhado.

Esta foi a primeira voz.

Que outras vozes da nossa comunidade ainda precisam ser ouvidas?

1 comentário


Gratidão por fazer parte desse incrível e extraordinário movimento.

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